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Brasil
Estratégia Nacional de Justiça quer acabar com carceragens em delegacias
Brasília - O governo, o Ministério Público Federal e o Conselho Nacional
de Justiça (CNJ) lançaram hoje (22) a Estratégia Nacional de Justiça e
Segurança e Pública, para integrar ações de combate às organizações
criminosas. A estratégia envolve a criação de um cadastro nacional de
mandados de prisão, incluindo a provisória, e de apreensões de
adolescentes em conflito com a lei, e prevê a erradicação das
carceragens das delegacias e a ênfase nas investigações de homicídios.
O CNJ quer intensificar o trabalho de erradicação das carceragens
mantidas em delegacias. Dos 473,6 mil presos no país atualmente, 55 mil
estão em delegacias, o que representa 12% da população carcerária
brasileira. “O sistema carcerário é composto por celas improvisadas e
superlotadas, e em péssimas condições de insalubridade”, afirmou o juiz
auxiliar do conselho, Erivaldo Ribeiro dos Santos.
O presidente do CNJ, ministro Gilmar Mendes, ressaltou o que chamou de
“inefetividade” do sistema judicial. Segundo ele, o mutirão carcerário
revelou a “falência do sistema” ao constatar, por exemplo, em Alagoas a
existência de 4 mil homicídios registrados sem inquérito aberto.
“Trata-se da falência do sistema e não da ineficiência. Temos um quadro
preocupante no que diz respeito à inefetividade das investigações”,
disse.
Para o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o esvaziamento das
carceragens permitirá que mais policiais civis trabalhem nas
investigações. Ele reiterou que a Estratégia Nacional de Justiça e
Segurança Pública vai concentrar esforços nas investigações dos crimes
de homicídios. “Nada pior do que um crime de homicídio não resolvido.
Cada homicídio não resolvido é uma mácula no sistema de Justiça e
segurança pública", afirmou.
O Ministério da Justiça acredita que o cadastro nacional vai permitir
que os mandados de prisão sejam cumpridos com mais eficiência e evitar
que presos com mais de um mandado expedido seja solto. “O cadastro
nacional fornecerá informações imprescindíveis sobre o déficit
carcerário”, acrescentou o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma
Junior.
Lísia Gusmão
Repórter da Agência Brasil |