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LAURO DE FREITAS -BA
Família da
Bahia está entre mortos na tragédia do Rio de Janeiro
Um casal de Lauro de Freitas - ela grávida - e seu filho pequeno morreram
soterrados. Empresário do Rio e a mulher se salvaram, mas perderam as duas
filhas pequenas. Filho de prefeito paulista ficou noivo na noite de
Réveillon, mas a noiva morreu na tragédia. Filha dos donos de pousada à
beira-mar levou os amigos para conhecer sua versão do paraíso na Terra: três
morreram.
Enquanto os bombeiros retiram corpos dos escombros de casas e de parte da
pousada Sankay, as histórias das vítimas revelam a destruição de famílias e
o soterramento de sonhos. Na Praia do Bananal, no paraíso ecológico da Ilha
Grande, foram encontrados, até o começo da noite, 28 corpos. O número de
pessoas mortas ali pode chegar a 40. Em todo o Rio, os mortos já passam de
60. Na ilha, as buscas, com auxílio de cães farejadores, continuam hoje.
Entre as vítimas atingidas pelo deslizamento de uma encosta na Ilha Grande
estavam o empresário Márcio Luiz Baccin, 31 anos, e sua mulher, Cecília
Secco, 30, grávida de seis meses. Ambos eram de Arujá, município da grande
São Paulo, mas moravam em Lauro de Freitas desde 2004. No acidente, morreu
também o filho do casal, Geovane, de apenas 3 anos, nascido na Bahia.
Cecília era filha dos empresários Heitor e Fátima Secco, sócios da fábrica
de brinquedos Acalanto, sediada em Lauro de Freitas. Ela se mudou para a
Bahia com o marido para cuidar da área contábil da empresa. Os corpos do
casal e do filho foram reconhecidos ontem, no Rio, pelo irmão de Márcio,
Anderson Baccin.
Escolher um lugar diferente para passar o Réveillon era tradição do casal
Márcio Luiz Baccin e Cecília Secco e seu grupo de amigos de infância de
Arujá, cidade da grande São Paulo. Dessa vez, a turma decidiu ver a chegada
de 2010 em Ilha Grande, reserva ambiental encravada no litoral de Angra dos
Reis.
Mas, para eles, o Ano-novo não chegou. Márcio e Cecília tinham motivos de
sobra para comemorar. Em 2010, nasceria o segundo filho do casal e a fábrica
de brinquedos da família continuava dominando o mercado de bonecas no país.
Marcio também estava empolgado com sua empresa de produtos hidropônicos.
Para celebrar a boa fase,decidiram alugar uma casa na Enseada do Bananal, ao
lado da Pousada Sankay. Em 18 de dezembro, saíram de Lauro de Freitas e
foram passar o Natal em Arujá. Depois, rumaram para Ilha Grande com o filho,
Geovane, 3 anos. Os três e parte do grupo de amigos acabaram soterrados por
toneladas de terra e rocha que desmoronaram devido às fortes chuvas no Rio.
O gerente industrial da Acalanto, Reinaldo Mendes, amigo da família Secco há
15 anos, conta que o casal era conhecido pela união e pela capacidade de
ajudar o próximo. Mendes disse que, assim que souberam da tragédia, os pais
de Cecília foram para São Paulo.
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