Abrantes, Camaçari, Bahia, Brasil

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O melhor de Abrantes    

A história de Abrantes remonta ao ano de 1558 quando os jesuítas definiram para a sede de sua a missão, uma aldeia de índios Tupinambás, às margens do rio Joanes. Com o objetivo de catequizar os índios, instalaram ali a Companhia de Jesus e deram nome ao lugar de Aldeia do Divino Espírito Santo. Construíram, então, a primeira igreja de palha e barro. Por causa de uma epidemia que matou muitas pessoas, resolveram mudar-se para um local mais saudável, perto do mar e das dunas. Foi então que se instalaram no local que hoje é conhecido por Vila de Abrantes.
Em 1624, sendo um dos primeiros núcleos brasileiros, a Aldeia (Abrantes) desempenhou um importante papel na expulsão dos holandeses que invadiram a Bahia, tendo sediado, por alguns dias, o governo brasileiro.

Igreja Matriz de Abrantes que completou 450 anos em 2008

Em 1758, o povoado foi elevado à categoria de Vila com o nome de Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes e depois município de Abrantes (tendo sido, então, a primeira sede de Camaçari). Em 1846, foi extinto o município de Abrantes e integrado seu território ao de Mata de São João. Dois anos depois, o município de Abrantes foi recriado administrativamente. No final do século XIX, com a malha ferroviária, que leva o desenvolvimento para outros locais, Abrantes perde importância político-econômica e a sede do município vai para Parafuso. O retorno da sede para Abrantes deu-se em 1892, porém, em 1925, vai para um povoado emergente chamado Vila de Camaçari, com a mudança do nome para Montenegro e passando a chamar-se Vila de Camaçari do Município de Montenegro. Em 1938, é restituído o nome Camaçari, agora ampliado para todo o município, mantendo-se os nomes das outras localidades: Vila de Abrantes, Monte Gordo, Parafuso e Dias D’ávila. Em 1985, Dias D’ávila passa a categoria de município desligando-se de Camaçari.
Hoje, dentro do município de Camaçari, o distrito de Abrantes (que vai do rio Joanes ao rio Jacuípe) é uma das regiões que mais cresce na Bahia. Diversos condomínios estão sendo instalados na região. Tem um vasto comércio, um grande número de prestadores de serviço, indústrias e um povo alegre e acolhedor.

Interior da igreja Matriz de Abrantes


Curiosidades


Segundo João Manuel Santana, 84, nascido em Abrantes, há cerca de 70 anos atrás, a Câmara de Intendência de Abrantes comandava tudo até Capim do Meio, próximo a Itapuã, passando por Parafuso, Jacuípe, Monte Gordo, etc.
“De Mata de São João a Dias D’ávila, tudo era comandado por Abrantes. Em 1940 o cartório de Abrantes pegou fogo e queimou todos os documentos de Abrantes”, confirma João Gonçalves, 65, morador de Parafuso.
“Entre 1930 e 1938, do Rio Joanes até Itapuã era só mato. Para chegar a Salvador, a gente esperava a maré vazar para poder andar por beira mar até Boca do Rio. Subia as dunas, passava em Seu Sales e Espanamboés, Cabula, Estrada Nova e chegava a Sete Portas. Ou então íamos a pé ou de cavalo até Parafuso para pegar o trem para Calçada e depois  o bonde até o centro de Salvador”.

Ruínas da Ponte sobre o rio Joanes

 lembra João Manuel Santana.
“Tudo que Abrantes consumia era comprado no comércio de Parafuso onde havia uma grande feira. “Depois, entre 1940 e 1950, alguns comerciantes de Portão compraram caminhões que traziam mercadorias de Calçada e passamos a comprar em Portão”,.
“Por volta de 1949 a 1950 o governo comprou uma fazenda que foi denominada Colônia Boa União. Dividiu em tamanhos de 4 tarefas e deu para os refugiados da guerra. Em 1954, no governo de Lamanto Junior, foi construída (por Mestre Julio) uma ponte de madeira sobre o rio Joanes” finaliza João Manuel Santana (Abrantes).
“Nesse mesmo ano foi construída uma estrada, a trator, (por Araquinho), ligando a Colônia União, em Abrantes, a Parafuso. Em 1969 foi construída uma estrada que ligava Arembepe a Salvador e depois, em 1975, a estrada que hoje é conhecida como Estrada do Coco” , confirma João Gonçalves, de Parafuso.
“O rio Sapucaí, que deságua no Rio Joanes, separa os limites de Abrantes e Parafuso” finaliza Manoel de Souza, 76, nascido e criado em Parafuso.
“’ Mulher com problema para dar a luz, a gente tinha que levar na rede amarrada com madeira. Iam muitos homens para revesar no caminho até Parafuso’.
“A hora de encontrar as meninas era a hora de ver o trem passar na Estação de Parafuso. As meninas se enfeitavam todas”. Relembra o nostálgico Inácio Duarte, 68, nascido e criado em Vila de Abrantes.
Dunas que cercam Abrantes

The best of Abrantes

The history of Abrantes went up to the year 1558 when the jesuits defined a Tupinambás Indian settlement, on the banks of The Joanes River, to be the headquaters of their mission. With the aim of catechizing the Indians, they installed there the Company of Jesus and named it as "Divino Espírito Santo" settlement. Then, they built the fisrt church of straw and clay. Because of an epidemic that killed many people, they decided to move to a healthier place, near the sea and the dunes. Therefore they installed themselves in a place that now is named "Vila de Abrantes".

Estrada dos Tropeiros que liga Abrantes a Parafuso

In 1624, being one of the first Brazilian centers, The Settlement (Abrantes) peformed an important role on the expunction of the Ducth that invaded Bahia. It was even, for some days, the seat of Brazilian government.

In 1758, the settlement was raised to a category of village with the name of " Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes " and, right after, Abrantes municipal district ( It was the first seat of Camaçari ). In 1846, it was extinguished and integrated to the territory of Mata de São João. Two years later, Abrantes municipal district was admistratively recreated. In the end of nineteenth century, with the railway which was taking progress to other areas, Abrantes lost econonic-political importance and the seat of the municipal district went to ‘Parafuso’. The return of the seat of the municipal district to Abrantes occured in 1892, but, in 1925, it changed to an emerging settlement called "Vila de Camaçari". At this point of history, there was a change in the name, adding "Montenegro" to it. So, it was called " Vila de Camaçari do Município de Montenegro". In 1938, it is renamed "Camaçari", but now it was amplified for the whole municipal district. The other towns kept their names: "Vila de Abrantes", "Monte Gordo", "Parfuso" e "Dias D’ávila". In 1985, "Dias D’ávila" became a municipal district disconnecting from "Camaçari".

Rio Joanes em Parafuso

Today, in "Camaçari", the district of "Vila de Abrantes" ( from The Joanes river to The Jacuipe river ) is one of the most crescent regions in Bahia. There are several condominium that are being built in there. There is a vast commerce. There are a lot of workers for several activities. There are industries and There are gentle and happy people.

Curiosities

According to João Manuel Santana, 84, that was born in Abrantes, at about 70 years ago, The Intendency Chamber of Abrantes ruled everything up to "Capim do Meio", next to "Itapuã", going by "Parafuso", "Jacuípe", "Monte Gordo", etc.

"From ‘Mata de São João’ to ‘Dias D’ávila’, everything was ruled by Abrantes. In 1940, the Register Office was on fire and all the documents were burned", confirms João Gonçalves, 65, resident in "Parafuso".

"Between 1930 and 1938, from The Joanes river to "Itapuã" there was only a wooded area. To reach Salvador, we need to wait the tide to get low in order to walk by the shore up to ‘Boca do Rio’. We went up the dunes, went by ‘Seu Sales’ and ‘Espanamboés’, ‘Cabula’, ‘Estrada Nova’ and reached ‘Sete Portas’. Or we walked or rode a horse up to ‘Parafuso’ to catch a train to ‘Calçada’ and after the streetcar to get downtown in Salvador" remebers João Manuel Santana.

"Everything that was consumed by Abrantes was bought at the commerce in ‘Parafuso’ in which there was a big fair. After, between 1949 and 1950, some businessmen from ‘Portão’ bought some trucks to bring some merchandises from ‘Calçada’ and we starded buying things in ‘Portão’. During the same period the government bought a farm, which was named ‘Colônia Boa União’, divided it in equal parts and gave it to some war refugees. In 1954, in Lomanto Junior’s government, it was built (by master Julio) a wooden bridge over The Joanes river" finishes up João Manuel Santana.

Estação de Trem em Parafuso

"In the same year, it was built a road, by a tractor, (by Araquinho) , connecting the ‘Colônia Boa União’, in Abrantes, to ‘Parafuso’. In 1969, it was built a road that connected Salvador to Arembepe, and after, in 1975, the road that nowadays in known as ‘Estrada do Côco’", confirms João Gonçalves, from ‘Parafuso’.

"The Sapucaí river, that runs into the Joanes, separates the limits between Abrantes and ‘Parafuso’" finishes up Manoel de Souza, 76, that was born and raised in "Parafuso".

"A pregnant woman with a difficult delivery, we had to carry her in a trap tied on a piece of wood. Many men went on that task since we needed to rotate during the way up to ‘Parafuso’. The time to meet the girls was when the train was going through the station in ‘Parafuso’. The girls were all adorned " remebers nostalgic Inácio Duarte, 68, that was born and raised in " Vila de Abrantes".

Estrada do Coco,Abrantes

Fotos: Litoral Norte News/EA

Texto: Jhorge Mariano

Tradução: Roberto Dantas

 

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