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Artigos
COPA,
OLIMPÍADA E IMPOSTOS

Luiz Carlos Amorim
Pois então. Nós, brasileiros,
estamos muito felizes porque a Copa do Mundo de 2014 vai ser realizada no
Brasil e as Olimpíadas de 2016 também. Para quem mora nos estados onde
acontecerá a Copa, será ótimo, pois não será preciso arcar com
dispendiosas viagens, serão pagos apenas os ingressos para os jogos. É uma
grande oportunidade de ver tudo in loco, torcer pelo Brasil ao vivo e a
cores. Para quem é do Rio, é a grande oportunidade de ver as Olimpíadas no
local onde elas estão sendo realizadas, para pessoas que de outra maneira
nunca poderiam fazer isso. Para quem não mora no Rio, mesmo assim os
gastos com o deslocamento até a sede das Olimpíadas não seriam tão altos
quanto se o evento fosse realizado em outro país longe daqui.
E para a realização desses megaeventos, os investimentos em urbanismo,
mobilidade, hotelaria, segurança, etc., serão enormes. Importante, então,
para que obras que até então não sairiam do papel, sejam finalmente
realizadas. Sim, há muita coisa que, se o Brasil não fosse sede desses
dois acontecimentos mundiais, não seriam levadas a efeito.
Mas – e não digam que sou pessimista, porque a verdade é essa, estamos no
Brasil e os “políticos” que governam esse país são corruptos, a maioria
deles – não esqueçamos nós, pobres mortais, trabalhadores e eleitores, que
quem vai pagar a conta disso tudo somos nós. Não se iludam. Sem contar que
muita coisa ficará pela metade, muito dinheiro destinado às melhorias será
“desviado” e muita “maquiagem” será aplicada a custo de obra pronta. Nós
pagaremos a conta, mesmo que nem tudo que porventura seja programado,
licitado e pago para ser construído realmente o seja.
O governo brasileiro já anda cogitando de ressuscitar a CPMF, será que
seria para subsidiar a saúde ou para cobrar a conta da reestruturação
futura das cidades sedes dos megaeventos? Dúvida cruel, não?
Pior, estão tentando criar impostos novos, além daquele, como o imposto
para o livro. A matéria sobre o Cide - Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico, com uma alíquota de 1% sobre o faturamento anual das
editoras, distribuidoras e livrarias, que irá encarecer o livro ainda
mais, pois a taxa será repassada para o consumidor, está para ser votada.
Aliás, o governo Lula justifica a retomada da proposta de quatro anos
atrás, alegando que a receita gerada pela Cide irá para um Fundo
Pró-Leitura, que será constituído com objetivos muito nobres, todos
embalados numa retórica politicamente correta. Sabemos como esses
objetivos serão cumpridos, como já aconteceu com a CPMF, que não teve
nenhum centavo aplicado na Saúde, que era o objetivo daquela taxa.
Pois é, tudo para consumir mais dinheiro público, sem garantia nenhuma de
que isso reverterá em favor do cidadão comum, que paga a imensa carga de
impostos que, por sua vez, se converte na cornucópia de onde os senhores
políticos tiram tanto dinheiro para gastar impunemente.
Sobre o autor: Luiz
Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 29 anos
de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas
Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de
mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e
autor de 25 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no
exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem
trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal,
Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde
e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego,
russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e
cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de
Cuervo, Usina de Letras, etc. O autor assina, também, o Blog CRONICA DO
DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com
A prova
incontestável da democracia em Camaçari
Com a
sabedoria de quem é um dos pensadores mais importantes da história da
humanidade, o alemão Karl Marx afirmou em um dos seus livros que a prática é
a teoria da verdade. Em outras palavras, de nada vale o que só existe no
campo do discurso, o que importa pra valer é a concretização dos fatos.
Neste
sentido, Camaçari vive hoje, no sentido mais amplo da palavra, uma
democracia de verdade. A prova cabal disso foi dada no desfile em homenagem
aos 251 anos do município, realizado dia 28 de setembro na avenida Radial A.
Foram
montados três palanques ao longo da via, episódio inaceitável pelos gestores
que comandaram o município – por mais de uma década - sob a cartilha do
carlismo, modelo de organização da máquina pública baseado na repressão,
concentração de poder e intolerância aos movimentos sociais. A última edição
do desfile cívico fluiu na mais absoluta tranqüilidade.
Nunca é
demais lembrar que o prefeito Luiz Caetano, assim como os movimentos sociais
e toda a militância dos partidos de esquerda, foram – durante sucessivos
anos - vítimas da truculência arquitetada pelos ex-mandatários, que tentavam
abafar a todo custo a combativa e criativa oposição da época.
A oposição
de agora é respeitada, embora não tenha tido comportamento semelhante quando
comandou a Prefeitura. Isso porque entendemos que a sociedade é repleta de
opiniões divergentes; é heterogênea por natureza. Além do mais, é
estratégico abrir espaço para que o outro lado exponha o seu ponto de vista.
Quem tiver maior fundamentação, poder de argumentação e qualidade vencerá o
embate.
É por pensar
desse jeito que temos o respaldo e a aprovação da população, que reafirmou o
compromisso com o nosso projeto na última eleição, quando obtive uma das
maiores votações proporcionais da história de Camaçari, com 3.901 votos, e o
prefeito Caetano cravou 73% da preferência do eleitorado.
Esse
reconhecimento é fruto da postura democrática do PT e da frente partidária
que dão sustentação ao governo popular instalado desde 2004 na cidade do
Pólo Petroquímico e da Cidade do Saber.
Somos
forjados na luta e não temos medo do debate, seja ele qual for. Cara feia,
então, nunca nos assustou. Temos clareza de que, mais do que estilos e
personagens políticos, o que deve ser avaliado são os projetos. E mais
importante é o fato de que temos colocado em prática as idéias. No âmbito do
legislativo, a criação da Ouvidoria, a TV Câmara e Tribuna Cidadã, que dá
voz aos que historicamente nunca tiveram vez, são provas cabais.
O nosso
projeto de transformação é único e especial porque é executado com o amor
de quem conhece a cidade e sabe que a prática é quem diferencia os agentes
políticos.
* Formada em Letras com Espanhol pela Universidade Federal da
Bahia, Luiza Maia (PT) é presidente da Câmara Municipal de Camaçari e está
no 3º mandato de vereadora.
Extinção do
analfabetismo
Dentre os problemas da educação no Brasil, o analfabetismo é o mais grave.
Em noticiários no início da década de 1990 divulgou-se a diminuição da alta
taxa do analfabetismo em decorrência da morte de pessoas idosas, faxa de
maior incidência de analfabeto.
Colocar no papel mais algumas teorias a respeito do assunto até que não é
tão difícil. Complicado é quando as sugestões precisam ser efetivadas no
dia-a-dia. Mas por maiores que sejam as dificuldades, trata-se de problema
básico, que precisa ser solucionado para que o país tenha mão-de-obra
qualificada e alcance o desenvolvimento econômico.
O Brasil é o país com maior percentual de analfabetos da América Latina.
Para mudar este quadro são necessárias ações imediatas dos governos, em
todas as esferas, e da sociedade, especialmente dos empresários.
Os governos deveriam permitir que funcionários estudassem nas próprias
empresas, sem obrigação de freqüência em estabelecimento de ensino, ficando
a avaliação periódica a cargo das secretarias de Educação. Aos empresários
restaria dividir os encargos com os seus funcionários ou adequar os horários
para permitir o estudo via conferência ou permitir o estudo à distância.
Nesse caso, financiariam o material, ficando o funcionário obrigado a
ressarcir após a conclusão do curso ou quando saísse da empresa.
Paralelo a essas alternativas, seria sensato e muito bem-vindo que o governo
melhorasse a qualidade da escola pública de ensino fundamental e médio para
todos, evitando adultos analfabetos. A imprensa precisaria contribuir com
mais debate e matérias sobre a educação. Já o brasileiro deveria encarar a
educação com mais seriedade, voltar a estudar quem já tiver se afastado e
acompanhar de perto o aprendizado dos filhos para evitar a criação de
adultos analfabetos. Por enquanto, as autoridades falam demais enquanto a
educação só piora. O engajamento precisa ser geral e irrestrito para a
extinção do analfabetismo, base para melhorar o ensino em geral.
Pedro Cardoso da Costa – Bel. Direito - Interlagos/SP
O SER HUMANO:
UM PROJETO QUE AINDA NÃO DEU CERTO?
* Ivandilson Miranda Silva
Nenhum pessimismo, apenas constatação que comprova os limites de um projeto
que ainda não deu certo. A história do que chamamos “humanidade” nos enche
de exemplos que deixa claro que os seres humanos foram formados para
conquistar (no sentido de dominar) os seus semelhantes.
Essa conversa de “amai-vos uns aos outros”, “igualdade, liberdade e
fraternidade”, entre outras frases de efeito que comumente são proferidas
entre vários grupos (religiosos, políticos, educativos) caí por terra diante
do que tem acontecido no mundo desde o surgimento das primeiras
civilizações.
FATOS
- Alexandre “O Grande” (356 /323 a.C.) DOMINOU a Grécia e boa parte do que
era conhecido como civilização,
- Os Romanos, através do seu Imperador Constantino (313d.C) em aliança com
os cristãos que deram origem a Igreja Católica, DOMINARAM o Ocidente e o
Oriente durante um bom tempo,
- Gengis Khan (1162/ 1227) DOMINOU a China constituindo o império Mongol,
- As Cruzadas (1096-1272), tentativa de a igreja reconquistar o DOMÌNIO do
oriente comprometeu a vida de milhares de pessoas, inclusive crianças,
- A Reforma Protestante (no século XVI), foi a possibilidade de Henrique
VIII criar a sua própria religião (O Anglicanismo), se livrando do poder
papal e mantendo o seu DOMÌNIO na Inglaterra;
- Os burgueses acabaram com a Monarquia (1789) e constituíram a sua
DOMINAÇÃO a partir do Estado Republicano, a imagem e semelhança dos
interesses capitalistas;
- A Revolução Industrial (século XVIII), amparada pelo desenvolvimento
científico da modernidade, aos poucos foi consolidando a DOMINAÇÃO das
máquinas e essa história nós já sabemos mais ou menos como deve acabar;
- O Stalinismo, O Nazismo, o Fascismo e as Ditaduras na América Latina
(inclusive no Brasil) no século XX, revelaram preconceitos e autoritarismo
em nome da DOMINAÇÃO e morte de milhões;
- Não podemos esquecer que Napoleão Bonaparte (1769/ 1821) queria DOMINAR
tudo e que Espanha e Portugal no século XV, dividiram o mundo para eles no
Tratado de Tordesilhas e os portugueses DOMINARAM o Brasil, passando a
propriedade (colônia) para a Inglaterra no século XIX que depois fez negócio
com os EUA que continua querendo manter a sua DOMINAÇÃO sobre o planeta.
PENSANDO...
Diante de tanta necessidade de DOMINAR, é difícil encontrar momentos na
história em que o mundo tenha vivenciado a paz. Essa é a nossa grande
utopia.
A necessidade de DOMINAR, IMPOR, APRISIONAR, ESCRAVIZAR, TER PODER SOBRE OS
OUTROS, confirma a trágica realidade que historicamente nunca tratamos as
pessoas como nossos semelhantes e sim como oponentes, obstáculos.
Por esses e por vários outros motivos, pergunto: o ser humano ainda é um
projeto que não deu certo? Será que precisa dar certo? Os conflitos,
paradoxos, disputas, guerras não são questões que fazem parte da
constituição da nossa essência e existência e por tanto é necessário que
tudo isso continue acontecendo para que a roda da história se mantenha em
movimento?
*Graduado em Filosofia Pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL),
Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Pela
Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Professor de Filosofia e Sociologia
na Fundação Baiana de Engenharia (FBE) e no Colégio Acadêmico de Villas do
Atlântico, Músico da Banda Periferia, Colaborador e Professor de Cinema e
Contextualização na Associação Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade
Universitária, Leciona as Disciplinas Humanidades I e II na UNIME –
PARALELA, Salvador, Ba. E-mail: Ivandilson-silva@ig.com.br, Blog:
http://ivandilsonmiranda.zip.net
EUCLIDES DA CUNHA, O ESCRITOR QUASE ESQUECIDO
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor –
Http://luizcarlosamorim.blogspot.com )
Leio uma carta de leitor do Estadão, há alguns dias, comentando o centenário
da morte de Euclides da Cunha, o autor de “Os Sertões”, constatando que o
grande escritor ainda é, infelizmente, um ilustre desconhecido. Bate naquela
velha tecla que nosso sistema de ensino, falido, insiste em manter
funcionando: a escola não forma leitores, apenas ensina a escrever, o que
implica, automaticamente aprender a ler, mas não implica incutir o gosto
pela leitura. Aliás, ensinava, pois depois das mudanças recentes no primeiro
grau, quando mudaram o sistema de alfabetização, encontramos muitos alunos
de terceiro, quarto anos que não sabem ler e escrever.
Um grande escritor como Euclides da Cunha não é conhecido dos estudantes e
nem da maioria dos cidadãos brasileiros, porque a escola não tem, no seu
currículo, um espaço para estudá-lo. Não vamos falar da qualificação dos
professores, da sua remuneração e da motivação decorrente disso, pois já é
lugar comum, embora valha dizer que não devemos nos conformar com este
estado de coisas e exigir uma educação de qualidade, que temos o direito de
tê-la.
Felizmente alguns jornais lembraram o centenário da morte do escritor,
jornalista, engenheiro Euclides da Cunha, ocorrido no dia 15 de agosto, e
isso colabora para que sua obra seja divulgada. Não é o suficiente, mas já é
alguma coisa. Ele merecia mais respeito e reconhecimento pela excelência da
sua obra, que poderia ter sido bem maior, se não tivesse morrido
tragicamente aos quarenta e três anos de idade. Se ele produziu uma
obra-prima como “Os Sertões”, muito mais poderia ter produzido, não fosse a
morte prematura.
‘Publicado em 1902, “Os Sertões” nasceu da cobertura jornalística de um dos
conflitos mais sangrentos da história brasileira: a ação vitoriosa do
exército contra revoltosos instalados na cidade baiana de Canudos. Euclides
viajou para o local em 1897, a convite de Julio Mesquita, então diretor do
jornal “A Província de São Paulo”, hoje “O Estado de São Paulo”.
Outros correspondentes já acompanhavam as tentativas do exército de derrotar
os seguidores de Antonio Conselheiro, no interior da Bahia. Mas Euclides
destacava-se como o escolhido natural: colaborador havia nove anos,
publicara, nos dias 14 de março e 17 de julho daquele ano, dois artigos com
o título de “A Nossa Vendeia”. São textos em que Euclides apresenta aspectos
físicos daquela região do sertão e se aventura a dar palpites sobre as
dificuldades táticas e estratégicas do levante.
No período em que cobriu o fato, Euclides submeteu-se a um verdadeiro rito:
se quando deixou São Paulo estava seguro da natureza monarquista da rebelião
em Canudos, o escritor (republicano) foi obrigado a reformular seu
julgamento, forçado pelas contingências. E se tinha a urgência do repórter,
acumulou material para a reflexão sobre o fenômeno que resultaria em “Os
Sertões”.’ (an)
A Flip, Festa Literária de Paraty, realizada em junho, numa homenagem feliz
dos seus organizadores já homenageava o escritor, com uma mesa-redonda para
discutir o centenário e a obra dele.
Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em
SC, com 29 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as
revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana),
além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA.
e autor de 25 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no
exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem
trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal,
Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e
outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo,
italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na
Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de
Letras, etc.
Perigo
das reeleições
Pedro Cardoso da Costa –Bacharel
Direito
Interlagos/SP
A divisão dos poderes veio para diminuir o poder absoluto dos reis, ou do
Estado moderno, e gerar um equilíbrio para evitar abusos e a violência.
Separação atribuída a Montesquieu, que seguiu John Locke, que a idéia
existia desde Aristóteles. Chegava a mencionar que só mesmo o poder pode
frear o poder. Todos os continentes tiveram sés períodos de ditadura. Hoje,
prevalece a democracia como sistema de governo no mundo, mas existem focos
de ditadura também em todos os continentes. É preciso cuidado, pois já foi
dito que a pior democracia ainda é melhor do que a melhor ditadura. A
América do Sul, nos anos setentas, teve seu ápice de governos ditatoriais.
Cada ditador queria ser mais tirano do que o outro. Uns matavam coletivos
inteiro em estádio de futebol, outros, nas manifestações estudantis, mas
todos torturavam e matavam em nome da ordem nacional de cada país. Pois isso
tudo não foi suficiente para que as autoridades evitassem abusos se
utilizando da própria democracia. Uma nova onda de eternização de chefes de
governo toma conta da América do Sul.
Mais grave ainda é que os presidentes sul-americanos se utilizam do poder
quando estão no exercício dos mandatos. Começou a onda e o Brasil logo
aderiu. Hoje apenas Uruguai, Paraguai e Chile ainda não aprovaram a
reeleição. Hugo Chaves além de aprovar a possibilidade de reeleição, foi
além, aprovou de forma ilimitada, para poder se perdurar até a morte.
Toda ação provoca uma reação. O abuso da democracia para aprovar direito de
reeleição a si mesmos pode trazer consequências indesejadas. Não que um erro
justifique o outro. Mas em política não se aplicam certas máximas. A
população sul-americana, que já sofreu demais com as ditaduras, deveria ser
um pouco mais resistente a essa mudanças oportunistas. Ao menos que fossem
aprovadas para futuras gestões, não para manutenção dos atuais governos.
E o maior problema é que o apoio que recebe dos seus congressos estimula
à prática de outras medidas autoritárias. E aí reside o maior perigo. Na
Venezuela fecham-se todos os órgãos de imprensa, exceto a chapa-branca. Não
há nada mais grave. O silêncio conivente dos governos vizinhos, e aí se
inclui o brasileiro, deixa mais audaciosos no controle absoluto sobre a
sociedade. Só vão se mexer quando o autoritarismo civil estiver fora de
controle e ao custo de muitas vidas.
Argumenta-se que é para dar continuidade às boas administrações. Pura
justificativa, sem lógica. Fosse assim, que se caminhasse logo para a
instituição do parlamentarismo, pois permitiria a retirada dos maus governos
quando a população assim decidisse. Isso não ocorre. Essa reeleição
deliberada vai permitir apenas a continuidade dos atuais e isso força
reflexão sobre insatisfação de setores militares. É preciso cautela nesse
oportunismo deliberado na América do Sul. Nada é tão prejudicial à
democracia do que o seu uso em benefício próprio.
É SETEMBRO
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor
-Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
)
De
novo um setembro está começando e esperamos que seja um setembro com sol,
cores, esperança e uma realidade mais amena, mais humana. Precisamos de mais
poesia, mais reflexão, mais coração e muito menos violência, corrupção e
falta de respeito. Ainda somos seres humanos. Precisamos parar de agir como
animais irracionais e pensar no nosso futuro, ou não haverá futuro.
Que independência, que liberdade é essa que
não dá perspectiva nenhuma de amanhã? Há que se pensar com menos
imediatismo, há que se pensar no depois, no mais adiante.
Como festejar a nossa independência, se ela
se esvai no descaso de nossos governantes, na falência da saúde, da
educação, da justiça e da segurança? Como comemorar uma coisa que não temos,
que foi solapada por políticos imorais e corruptos, que ao invés de defender
os direitos do cidadão, ao contrário, roubam descaradamente os impostos
tantos que ele paga com tanto sacrifício, a maior quantidade de impostos do
mundo?
Como podemos nos considerar independentes se
estamos a mercê de um senado (sim, com letra minúscula) repleto de
estelionatários, corruptos e corruptores de carteirinha que têm a conivência
da justiça e da presidência do país?
Precisamos, nós cidadãos, proclamar a nossa
independência, não votando mais nessa corja que aí está, escolhendo melhor
ou mesmo não votando em ninguém, se não houver um candidato decente,
anulando o voto, para manifestarmos nossa insatisfação e revolta com tanto
desrespeito, desonestidade, falta de vergonha na cara, mesmo, falta de
hombridade e humanidade.
O povo não sabe a força que tem, não sabe
que assim como colocamos o bando de chupins no poder, podemos tirá-los.
Infelizmente para nós, cidadãos, o sistema de manipulação usado para que os
eleitores não se levantem e tentem mudar o estado caótico em que nos
encontramos, que é o futebol e a novela, está funcionando muito bem. As
pessoas se projetam no problema de personagens fictícios, esperam
ansiosamente para torcer fanaticamente pelo time favorito e se esquecem dos
seus problemas reais, da vida, que vai ficando cada vez pior, porque não
temos governantes e políticos corretos e capazes.
MULHER EM VERSO E PROSA
* Ivandilson Miranda Silva
“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”. A poesia de Vinicius de
Morais e Tom Jobim, ícones da música popular brasileira nos remete a um de
tipo de produção artística que exalta as qualidades do gênero feminino. A
mulher elogiada, cortejada, romantizada, amada. Linda, mais que demais, você
é linda sim (canta Caetano).
Infelizmente, estamos vivenciando um momento muito trágico, chulo e
agressivo no âmbito da cultura e na forma como as mulheres são retratadas.
Nos bailes funks, o feminino foi transformado em frutas, verduras, uma
grande feira com mulher melancia, mamão, melão, abacaxi, jaca, cenoura,
batata...
O forró eletrônico (hollywoodiano) incorpora nas suas apresentações, balé
circense especializado em estimular a produção de testosterona em suas
coreografias, mantendo aquele velho estereótipo da mulher objeto. O pagode
tem a capacidade de criar uma anti-poesia, uma anti-prosa que humilha e
rebaixa a mulher chamando-a de coisas tão horríveis que não é interessante
reproduzir essas frases preconceituosas.
A mulher nos últimos cinquenta anos vem ocupando espaços e modificando sua
representação social. A famosa Amélia que tinha um papel de gerenciar a casa
e depender das finanças do marido, já contrasta com uma mulher que se insere
no mercado de trabalho, é independente financeiramente e atua no mundo
político com muito destaque. No próximo ano (2010), teremos três mulheres
candidatas á presidência da república, isso é muito significativo.
Nesse sentido, algumas questões devem ser discutidas como: por que esse
modelo de feminino não é retratado por esses “músicos”, “poetas”? por que a
necessidade de ferir o feminino? Será que a mulher é problema para essa
gente?
Sabemos que existem artistas, poetas, agitadores culturais, comprometidos
com um trabalho que valoriza e respeita a dignidade humana, mas esse povo
não aparece para as multidões, não entra na pauta da ração dominical que tem
a necessidade de reafirmar o ridículo e o superficial.
Quem perde com tudo isso somos nós e principalmente as mulheres que são
maltratadas e ridicularizadas com tudo que vai sendo criado para tentar
desconstruir uma história e uma imagem do feminino que foi conquistada com
muita luta.. Esse palavreado grosseiro e essa visão tacanha e limitada
precisa ser combatida.
O verso e a prosa em torno do gênero feminino devem pautar a sua beleza, o
seu encanto e a sua mágica para conquistar os seus sonhos e viver a vida. E
como canta Benito: “Agora chegou a vez, vou cantar, mulher brasileira em
primeiro lugar”, “mulher brasileira é feita de amor”.
Os
acima da lei
Pedro
Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Mais uma vez a Suprema
Corte, como costuma ser chamado o Supremo Tribunal Federal – STF, ao decidir
sobre o arquivamento do pedido de abertura de investigação criminal contra
Antonio Palocci demonstrou que, no Brasil, punição realmente não é para
gente de cima. Com sua costumeira voz pausada o relator ministro Gilmar
Mendes não viu nada que ligasse o ex-ministro à quebra do sigilo bancário do
caseiro Francenildo Costa.
Preciso relembrar aos ministros que inocentaram o ingênuo Palocci, que
existe uma figura no Direito chamado nexo causal. Com o fim de evitar minha
conceituação, recorri ao popular “dr. Google” e ele me respondeu que “o nexo
de causalidade relaciona-se com o vínculo entre a conduta ilícita e o dano,
ou seja, o dano deve decorrer diretamente da conduta ilícita praticada pelo
indivíduo, sendo pois conseqüência única e exclusiva dessa conduta.”
Francenildo Costa foi o caseiro que na CPI dos bingos confirmou a presença
do ex-ministro numa mansão com muita festa com lobistas em Brasília, em
suposta divisão de propina. Nesse período foi quebrado o seu sigilo bancário
que, agora, a maioria dos ministros do Supremo só constatou nexo causal com
o presidente da Caixa e nenhum com Antonio Palocci.
Existe uma máxima no Direito de que “decisão judicial não se discute, se
cumpre”. Nunca uma frase tão descabida, foi conveniente e repetida por altas
autoridades da seara jurídica. Todas as decisões deveriam ser questionadas
juridicamente, enquanto der, e quando não, do ponto de vista sociológico,
sempre. Segundo a doutrina de Direito, os recursos existem por que os homens
são falíveis. Pelas recentes decisões do Supremo, só os homens de primeiro
grau; segundo o presidente da República, só os “comuns”.
No campo da política, uma decisão semelhante seria a criação de mais oito
mil cargos de vereador. Serão milhões de reais jogados no lixo. Já existem
mais de cinquenta mil. É desperdício em demasia de dinheiro da sociedade
para bancar vereanças apenas para aprovar leis dando nome às praças e ruas
das cidades, geralmente para parentes que só fizeram, pela cidade, ser
parentes dos edis, além de inventar feriados municipais e outras questões
tão relevantes quanto essas.
Esse país tem que tomar uma decisão pelo fim da impunidade. Parabéns
Palocci, agora, o senhor já pode registrar, em cartório, mais uma promessa
de mandato cumprido integralmente. A sociedade, como sempre, terá que
engolir as quebras de sigilo e sentenças dessa natureza.
Com essa decisão, mais uma vez ficou claro que a lei é efetivamente para
todos; todos os comuns. Essas sentenças ficam inteiramente respaldadas mais
no linguajar jurídico incompreensível para os comuns de Lula, do que pela
coerência jurídica de seus fundamentos. Não resta dúvida de que falta nexo
causal entre os fatos e o decidido.
* Bacharel em Direito
O CASTIGO DA
EXPOSIÇÃO: A CONFUSÃO ENTRE INTIMIDADE, CONVÍVIO SOCIAL E MORALIDADE
* Ivandilson
Miranda Silva
A polêmica do momento
nos jornais, televisões, sites e blogs baianos é a discussão em torno do
vídeo da professora dançando de forma tão “original” num show de mais um
grupo que faz parte do que chamo de novidade sem conteúdo na música popular
brasileira.
Tenho discutido com colegas e acadêmicos que estamos vivendo num tempo de
muita confusão, dúvidas e crises (diversos níveis) que são traços
característicos de um processo histórico-político-social e cultural de
transição. Desde 1989, o mundo vem se modificando de forma muito rápida.
Estamos diante de um mundo pragmático, sem ideologias, que é marcado pelo
excesso de vazio que acaba optando pela imagem e negando o conteúdo das
coisas. Por isso, não sabemos diferenciar o que é de âmbito intimo e o que
de fato faz parte do convívio social. Perdemos a nação do que é público e do
que é privado, do que faz parte da casa e do que pertence a rua, segundo a
visão de Roberto da Matta.
O caso da professora que literalmente caiu na dança ao som de “todo
enfiado”, ilustra essa confusão e todo o imbróglio que tem garantido
audiência para algumas emissoras de TV que se necessário vão tirar o tutano
da dançarina, ou melhor, professora. Cria-se uma confusão, expõe
excessivamente as imagens, fazem enquetes extremamente moralistas do tipo:
você seria capaz de fazer isso num show? Fulana está certa ou errada?
O que não se discute é que vivemos numa espécie de mega Big Brother, onde
todos podem ser filmados, observados, controlados e expostos sem saber que
estão sendo olhados. A intimidade, aquilo que há de mais particular na vida
dos indivíduos, que não deve ser conhecida por todos foi violada. Não temos
mais controle sobre a nossa intimidade, pois posso ser filmado em qualquer
lugar. O que não falta são aparelhos para gravar as imagens e enviar para os
sites.
Aquilo que pertence ao convivo social (o que pode ser revelado e visto) se
mistura com as cenas intimas e depois serão temas para as análises morais
dos críticos de plantão. Não quero entrar no debate de quem acertou ou quem
errou, quero que reflitam sobre algo que estamos perdendo (a intimidade) por
conta dessa necessidade exagerada de “informação” tendenciosa e ambígua.
Não gosto desse tipo de música, se é que podemos chamar assim, mas (nem por
isso) posso ficar discutindo se a professora acertou ou errou ao dançar
daquela forma, pois é ela quem vai sofrer as consequências dessa atitude por
toda a vida. Só passamos a discutir sobre a imoralidade do ato, a partir das
imagens, ou seja; quando a “intimidade” foi trazida para o convívio social.
Cuidado com as suas ações, pois você pode ser filmado a qualquer momento.
____________________________________________________________________
*Graduado em Filosofia Pela Universidade
Católica do Salvador (UCSAL), Especialista em Metodologia do Ensino,
Pesquisa e Extensão em Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB),
Professor de Filosofia e Sociologia na Fundação Baiana de Engenharia (FBE) e
no Colégio Acadêmico de Villas do Atlântico, Músico da Banda Periferia,
Colaborador e Professor de Cinema e Contextualização na Associação
Educacional, Cultural e Ambiental Comunidade Universitária, Leciona as
Disciplinas Humanidades I e II na UNIME – PARALELA, Salvador, BA. E-mail:
Ivandilson-silva@ig.com.br, Blog: http://ivandilsonmiranda.zip.net
CANÇÃO
DA SAUDADE
(para todos os pais)
Por Luiz Carlos Amorim
(Escritor –
lc.amorim@ig.com.br
)
A saudade era imensa.
Quando via ou ouvia alguma coisa bela, uma flor, muita cor, luz, sorrisos,
um animal, pássaros, árvores, natureza, música, risos, choro de criança,
lembrava dele. Seu pai se fora há tanto tempo, mas a saudade era imensa: ele
fazia muita falta.
Aquela teimosia em querer as coisas da maneira certa e esperar que os outros
também fossem corretos, por exemplo, era coisa dele. Ele se decepcionava com
a falta de responsabilidade e de bom senso das pessoas, mas não mudava a sua
maneira de ser.
Herdou dele a honestidade e a retidão. Não herdou aquele riso alto e bobo, a
achar graça de algumas coisas corriqueiras e engraçadas que as outras
pessoas nem percebiam. Ah, aquele riso feliz... Aqueles olhos que viam
beleza onde os nossos olhos não alcançavam...
Ele ensinou isso a ela: a olhar e ver. Ensinou-a a valorizar o sorriso raro
e desgastado de quem ainda tinha forças para sorrir, a se compadecer e
ajudar um pobre animal velho e abandonado, a apreciar as cores e descobrir a
beleza das flores mais comuns. Ensinou-a a ouvir e a gostar de música
clássica, assim como das cantigas singelas que cantava com ela na infância,
do som de água de uma cascata de águas limpas e claras, do som harmonioso de
uma flauta doce, do canto de pássaros livres na natureza, no amanhecer.
Ensinou-a a gostar de ler, a reconhecer nos livros, muitos deles, fontes de
descobrimento e conhecimento. Ensinou-a a ter fé numa força superior que
rege nossos destinos e nossa esperança e força para caminhar rumo ao futuro.
Aquelas mãos rudes que seguraram tantas vezes as suas, com carinho e
ternura, deveriam continuar presentes. Aquela voz serena, que sabia ser
dura, quando era preciso, lhe ensinara muitas verdades, mesmo quando já
soava fraca e cansada.
A vida era mais fácil quando havia seu ombro e seu peito para encostar a
cabeça e chorar, até, se fosse inevitável. Hoje, ela apenas pede a ele que
venha sentar-se à soleira de seu coração para lhe contar uma história
qualquer, com aquela voz serena e grave, num sonho bom e feliz. Sonho bom em
que ele, pai, encostaria a cabeça num pedacinho da alma dela e lhe cantaria
uma canção de ninar, sonora e melodiosa. Depois, pediria a ele, antes que o
sonho terminasse, que lhe dissesse um poema de amor, um daqueles que ninguém
mais sabe e só ele poderia lhe dizer...
Então acordaria, feliz, ainda que a saudade perdurasse, e sorriria como ele
gostava que sorrisse.
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