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Jandaíra - BA
As dunas brancas de Mangue Seco
e as águas do rio Real assinalam o extremo Nordeste da Bahia, exatamente na
divisa com o Estado de Sergipe. Jandaíra é o portão de entrada do estado no
sentido norte/sul, município situado em uma região onde coqueirais dominam a
paisagem litorânea, abundante em lagoas e rios.
Nesse cenário
cinematográfico, nasceu o romance Tieta do Agreste do romancista baiano mais
traduzido em todo o mundo, Jorge Amado. Na verdade, o romance tem o título
bem mais longo: Tieta do Agreste, Pastora de Cabras ou A volta da Filha
Pródiga, Melodramático folhetim em cinco sensacionais episódios e comovente
epílogo: emoção e suspense. O romance tem como tema a degradação da
natureza, criticando todos aqueles que confundem o mar com uma lixeira.
A área do atual município já fez parte da sesmaria doada por Carta Régia ao
Governador- geral, D. Luís de Brito e Almeida, em 1573. A igreja de Nossa
Senhora da Abadia foi construída pelos jesuítas no século XVII, originando a
primeira sede municipal com o nome de Cachoeira da Abadia, transferida e
extinta algumas vezes até a última restauração do município, em 1944. Em
tupi, Jandaíra significa “abelha de mel”.
A faixa litorânea de Jandaíra, com 31 km de extensão e que se estende até a
Linha Verde, concentra os atrativos turísticos do município e está limitada
pelos rios Real, a Norte, e Inhambupe, a sul, na divisa com o município de
Conde. Para preservar todo este patrimônio natural, o governo do estado
criou, em 1994, a APA de Mangue Seco – Área de Preservação Ambiental - com
34 km².
Cachoeira
de Itanhi
Formada pelo rio Real, fica exatamente na divisa entre Bahia e Sergipe,
sinalizando o início/final (a depender da direção que se vá) da Linha Verde
em território baiano. Nesse trecho, o leito do rio Real é cheio de pedras,
formando saltos e corredeiras. O local é muito freqüentado por pescadores e
banhistas.
Duração do passeio
2 horas
Dicas
Meia dúzia de restaurantes muito simples, na beira da estrada, servem, entre
outros pratos típicos, o pitu com pirão... irresistível.
Como chegar
Cachoeira de Itanhi localiza-se na divisa entre os estados da Bahia e
Sergipe.
Abadia / Cahoeira de Itanhi / Ponte de Tabatinga
Antigo centro político e econômico no período colonial, o conjunto
urbanístico formado pelos distritos de Abadia, Cachoeira de Itanhi e Ponte
de Tabatinga situa-se exatamente na rota das boiadas para o norte do país.
Reúne monumentos arquitetônicos como a Igreja de Nossa Senhora de Abadia, do
século XVIII, e a Igreja de Nossa Senhora das Dores, do século XIX, em
Cachoeira do Itanhi.
Duração do passeio
3 horas
Como chegar
Cachoeira de Itanhi fica na margem direita do rio Real, na divisa com o
Estado de Sergipe. A entrada para Abadia fica a 600 metros de Cachoeira de
Itanhi, a 500 metros do Posto Fiscal, percorrendo mais 7 km de estrada de
terra até a vila. Já a Ponte de Tabatinga fica na margem direita da Linha
Verde a 11 km a sul da divisa com Sergipe.
Vila de Mangue Seco
A primeira notícia sobre a localidade está nos registros históricos que
contam um naufrágio de padres em 1548. Salvos, eles chegaram até o lugar a
que deram o nome de Vila de Santa Cruz da Bela Vista. Ainda hoje, a vila
guarda as marcas de sua história, desde o tempo em que por ali passaram os
rebanhos de Garcia D’Ávila com destino a Sergipe. É do século XIX a Igreja
de Bom Jesus dos Navegantes, quando a Santa Cruz da Bela Vista gozava de
posição privilegiada no comércio nordestino. Muitos navios atravessavam a
barra em direção a portos nos rios Real e Piauí. Nessa época, o comércio era
próspero, em grandes armazéns e sobrados. Produzia-se óleo de coco e
artesanato à base de tucum, palmeira de cujas folhas se extrai a fibra. Os
senhores de engenho freqüentavam o lugar com suas famílias.
Em 1930, a maré alta na baía de Estância provocou o desaparecimento, de uma
só vez, de toda uma rua de armazéns e sobrados. A partir de então, Mangue
Seco distanciou-se do progresso e parou no tempo, caracterizandose como uma
vila de pescadores que tem na pesca sua principal atividade econômica. O
nome de Mangue Seco surgiu, inclusive, dessa atividade. A área é muito
piscosa e os pescadores, quando voltavam de suas atividades, diziam que
vinham “dos mangues secos” pois, na verdade, a margem direita na foz do rio
Real era praia de areia, não havia vegetação de mangue.
A partir de 1977, com o lançamento do livro de Jorge Amado, Tieta do
Agreste, posteriormente imortalizado nas imagens do cinema e da telenovela,
Mangue Seco voltou ao cenário nacional e internacional. Os personagens do
romance ganham vida no vilarejo, em nomes de restaurantes e lojas. Vale
salientar a linguagem popular do povo da Bahia retratada no livro. O
“Recanto de Dona Sula” muito antes de servir de cenário de novela como a
residência do pai de Tieta, hospedou o seu criador (que era primo do
proprietário) por duas vezes, a primeira em 1935, quando foi vítima de
perseguição política durante o Estado Novo.
Dona Sula foi uma doceira famosa em Mangue Seco. Hoje, sua filha continua a
tradição fazendo dezenas de tipos de doces diferentes que extasiam o paladar
mais refinado: doces secos, batidos ou em calda, de caju, carambola,
pitanga, murici, banana, araçámirim, goiaba, jaca, mamão, laranja,
batatadoce de leite, ambrosia; sorvetes e licores de cambuí – uma fruta
silvestre –, umbu, graviola, tamarindo, pitanga, e jabuticaba.
O vilarejo fica encurralado entre a foz do rio Real – que, dia-a-dia, vai
escavando suas margens – e as imensas dunas que se movem com o vento e
avançam como a querer encobrir tudo. A dificuldade do acesso – de barco,
através do rio Real – é o que torna Mangue Seco mais atraente e a mantém
naturalmente rústica. As poucas ruas são cobertas de areia fina e macia. À
noite, crianças ainda brincam de roda e de escondeesconde, longe da
televisão, enquanto os visitantes ouvem histórias antigas, contadas por
pescadores ou ainda participam de serenatas junto à população nativa. Pouco
iluminada, a vila oferece uma noite estrelada e, se a lua é cheia, o rio
reflete o luar e a paisagem é deslumbrante.
Em posição privilegiada na baía de Estância, Mangue Seco testemunha o
encontro dos rios Real, Piauí, Fundo, Guararema, Priapu, e Saguí com o
Oceano Atlântico. A mistura de água doce e salgada propicia a formação de
extensas áreas de mangue e, conseqüentemente, a fartura de frutos do mar. Na
praia de rio, os coqueiros se debruçam, curvando o tronco sobre as águas.
Por toda a margem espalham-se pousadas, bares, restaurantes e as casas de
pescadores. Os passeios de bugre, de barco e de ultraleve são
imprescindíveis para conhecer a região.
Duração do passeio
Tempo livre
Como chegar
O acesso a Mangue Seco é possível a partir da localidade de Pontal, em
Sergipe, 28 km após o final da Linha Verde. Em Pontal é preciso tomar um
barco para fazer a travessia do rio Real. A travessia Pontal/Mangue Seco é
feita em jangadas “modernas” – de fibra de vidro – ou barcos mais lentos. É
possível deixar o carro em um estacionamento fechado, em Pontal. Também
existe a possibilidade de chegar a Mangue Seco pela praia, em caminhada a
partir de Costa Azul.
Praia da Bela Vista
Entre a foz do rio Real e o mar. O trecho é excelente para a pesca. Na maré
baixa, a faixa de areia, proveniente das dunas, forma piscinas ideais para o
banho. Na maré cheia as ondas são altas e fortes. É das mais freqüentadas e
dispõe de barracas. Da vila até a praia, no encontro do rio com o mar, são
dois quilômetros de caminhada através das dunas, coqueiral e vegetação de
restinga. Os banhos de rio e de mar fazem parte de todos os programas.
Acesso
A partir da foz do Rio Itapicuru, passando por Costa Azul até a margem
direita da foz do rio Real em Mangue Seco, divisa com o Estado de Sergipe,
são 43 km de litoral com acesso por Costa Azul e Pontal em Sergipe.
Praia de Ribeirinha
Quase deserta, é bastante procurada por casais de namorados e naturistas.É
um importante porto de pesca com algumas casas rústicas, em piaçava, que
servem de abrigo temporário para pescadores.
Praia do Coqueiro
É deserta e os cercados com a marca do Projeto Tamar indicam que essa praia
é um ponto de desova de tartarugas-marinhas. Observe o cultivo do coco nas
extensas plantações, além das dunas. Fica próxima ao povoado do mesmo nome,
que se alcança por trilha através do coqueiral.
Vila de Coqueiros
Uma trilha de 6 km entre as dunas, o mangue, o rio e as fazendas de gado e
de coco interliga as vilas de Mangue Seco e Coqueiros. A vila é pacata e
tipicamente provinciana com uma pracinha, igreja e casas de pescadores. É
interessante observar as diferentes maneiras de pesca da população nativa
que também vive da extração do coco. O único bar da vila, em frente ao rio,
é responsável por toda a agitação na vida noturna, atraindo turistas em
visita a Mangue Seco.
Duração do passeio
3 horas
Dicas
Os passeios de barco ou de bugre sugerem uma aventura inusitada.
Como chegar
Sair de Mangue Seco por barco ou bugre margeando o rio Real, a uma distância
de 6 km.
Praia dos Três Coqueiros
A pesca de molinete está entre as modalidades mais praticadas nessa praia,
onde acontecem campeonatos esportivos. Os únicos três coqueiros desta praia
servem de referência para quem transita ou marca encontro na área. Praia do
Vapor zinho Deserta, é funda e abriga um pesqueiro, “O Vapor”, como é
conhecido. Na verdade o navio Baependi, que durante a 2ª Guerra Mundial foi
torpedeado e encalhou na praia. Contam os mais velhos que os 10
sobreviventes chegaram ao povoado de Coqueiros completamente nus, depois de
terem tentado tapar o buraco no casco usando as roupas. Nas imediações estão
as instalações de uma maricultura.
Praia de Costa Azul
A cor do mar batizou essa praia que fica no povoado do mesmo nome. É deserta
em quase toda sua extensão. Algumas barracas de praia, próximas ao povoado,
formam a pequena infra-estrutura do local que dispõe de casas de veraneio e
uma pousada. É boa para pesca. É preciso ter cuidado com o banho de mar
devido à forte corrente refluxo. Possui acesso direto para a Linha Verde,
distante 12 km em estrada de terra.
Rio Real
A mistura de água doce e salgada, na foz do rio Real, propicia a abundância
de peixes. A pesca, de molinete ou mergulho, é farta em mero, surubim,
robalo, caranha, além de muitos mariscos. Nesse trecho o rio Real é salgado,
devido ao encontro com o mar. Também o mangue, resultado desta mistura, é
farto em caranguejo, siri, aratu, massuni, mexilhão e guaiamun. Na vila de
Mangue Seco, há um excelente pesqueiro, o Dantas, um vapor naufragado a uma
profundidade de 8 a 10 m, bom para a pesca de mergulho. Os passeios de barco
percorrem o manguezal e as ilhas do Sossego, Porto do Mato, Terra Caída e do
Bobó.
Passeio de canoa
Pelo manguezal, um braço do rio Real leva até o povoado de Apraius, uma
comunidade de catadores de caranguejo, cerca de 10 km de Mangue Seco. É
possível fazer a observação de pássaros aquáticos como bico-torto, socó,
sabacu, garça, gaivota e pato d’água. Outra possibilidade é subir um dos
afluentes do rio Real, o rio da Pedra, onde o manguezal se fecha formando
túneis.
Duração do passeio
3 horas
Como chegar
Em Mangue Seco alugar um barco e fazer o percurso subindo o rio Real.
Passeio de Bugre
Usar bugre para ir até as praias e para o passeio de uma hora pelas dunas.
Todas as trilhas nas dunas são autorizadas pelo IBAMA/CRA. O mirante do
Farol é o primeiro ponto de parada, de onde é possível avistar toda a
paisagem de Mangue Seco entre o rio e o mar. No segundo, o cenário é de
coqueiros enterrados na areia, e o guia anuncia “aqui Tieta pastoreava as
cabritas”. Observe os coqueiros, com altura média entre 20 e 25 m, e que
foram soterrados pelas dunas. O terceiro mirante fica no Morro do Caju, com
direito à paisagem da foz do rio Real e de uma mata de cajueiros. As dunas
formam um paredão em frente ao mar que encobre os coqueiros. A quarta parada
é nos coqueiros “Romeu e Julieta”, já bem próximo à praia.
Duração do passeio
2 horas
Como chegar
Em Mangue Seco alugar um bugre credenciado pelo IBAMA e CRA para o tour por
Mangue Seco.
ARTESANATO
Peças decorativas utilizando conchas, bolsas, chapéus de palha e
instrumentos para pesca.
CULINÁRIA TÍPICA
Moqueca de robalo, pirão de pitu, doces e compotas de frutas típicas, e
licores caseiros.
FOLCLORE
Marujada, zabumba.
EVENTOS
Janeiro
Festa de Bom Jesus dos Navegantes, em Jandaíra – 1 e 2
Fevereiro
Festa de Nossa Senhora de Abadia, em Abadia – 2
Março
Festa de São José, em Coqueiros – 19
Maio
Festa do Santo Cruzeiro – móvel em Jandaíra
Junho
Festa de Santo Antonio – 1 a 13
Micareta, na sede – 14 e 15
Agosto
Festa de Nossa Senhora d’Ajuda, Ponte de Itabatinga – 15
Setembro
Dia da Independência – 7
Festa de nossa Senhora das Dores, em Cachoeira do Itanhi – 14
ASPECTOS GERAIS
Área – 679 km2
Distância de Salvador – 202 km
Coordenadas geográficas – Lat. Sul 11º 34’ Long. Oeste 37º 47’ Altitude
dasede do município – 110 m
Tipo climático – Seco a subúmido
Temperatura média anual – 24,8º C
Período chuvoso – abril a junho
Fonte: Secretaria de
Turismo da Bahia |
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Guia de
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