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Manguezais de Acupe vão ser repovoados com caranguejos

Até o final desta semana, aproximadamente um milhão de filhotes de caranguejo (megalopas) vão ser lançados nos manguezais de Acupe, região do município de Santo Amaro, entre o Rio Paraguaçu e Baía de Todos-os-Santos. Em pouco mais de dois anos este é o segundo repovoamento de caranguejos feito na região pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), por meio da Bahia Pesca.

O trabalho é o primeiro que a Bahia Pesca faz sem qualquer tipo de parceria e a expectativa é que os megalopas atinjam a fase juvenil com pouco mais de um ano a partir da sua colocação nos mangues. Nos repovoamentos anteriores, feitos em 2008 e 2009, em Camamu e Acupe, o trabalho foi realizado em parceria com a ONG Grupo Integrado de Aqüicultura e Meio Ambiente (GIA) e a Universidade Federal do Estado do Paraná.

Conforme explicou o diretor técnico da Bahia Pesca, Marcos Rocha, nas regiões que foram repovoadas, os filhotes de caranguejo deverão se desenvolver até atingir a fase adulta. “Mas, para que isso aconteça, será preciso todo um cuidado ambiental voltado a evitar a ação predatória do homem”.

Conscientização
Para o subgerente da Fazenda Oruabo- centro de pesquisa mantido pela Bahia Pesca, no município de Santo Amaro, onde os caranguejos são cultivados - José Jerônimo de Souza Filho, além do repovoamento é feito um trabalho de conscientização ambiental junto às comunidades que vivem no entorno dos manguezais da região.

Os filhotes de caranguejos que estão sendo colocado agora nos manguezais, só podem ser capturados, segundo ele, quando suas carapaças tiverem em torno de seis centímetros de espessura, que é o que a legislação do Ibama permite. “O apoio da comunidade, formada por marisqueiras, catadores, pescadores e comerciantes nessas regiões, é fundamental”, diz José Jerônimo.

A Fazenda Oruabo é o local onde todo o trabalho de pesquisa, criação e reprodução das larvas de caranguejo, até a sua fase megalope, é feito. Antes de serem colocadas nos manguezais, as fêmeas com ovos e as larvas do caranguejo são preservadas em tanques especiais, com a assistência de biólogos, para assegurar a reprodução e o repovoamento da espécie, com a liberação posterior em ambiente natural.

Caranguejo-Uçá
Da família dos ocipodídeos, o caranguejo-Uçá (Ucides cordatus) possui coloração dorsal verde-azulada e pernas vermelhas, sendo encontrada na maioria dos manguezais brasileiros. O animal tem como característica as patas carnudas, peludas e arroxeadas. Costuma viver em locais escavados nos manguezais e só pode ser visto quando a maré está baixa, quando sai em busca de alimentos. Na época do acasalamento e reprodução, a fêmea do Uçá costuma sair da toca e caminhar vagarosamente pela área próxima ao manguezal, tornando-se presa fácil dos marisqueiros.

A captura do caranguejo-Uçá é regulamentada pela portaria do Ibama - nº 1.208, de 22 de novembro de 1989, que estabelece tamanhos mínimos para a largura de carapaça na região Nordeste (4,5cm). A Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998) prevê, em seus artigos de 30 a 40, multas e penas de prisão de até três anos para quem destruir ou danificar áreas de preservação permanente, categoria em que o habitat do caranguejo-uçá, o mangue, está incluído.